terça-feira, agosto 17, 2010

Às vezes o nosso amor adora sangrar.

Às vezes o nosso amor adora morrer
p'ra voltar e voltar a correr
Parece que o nosso amor se evapora, ora
que o ar do lar o devora
Às vezes o nosso amor tropeca sa
para que o chao lhe peça Levanta-te depressa

Às vezes o nosso amor adora sangrar
p'ra se esvair e voltar a estancar
Às vezes o nosso amor adora lamber
a cicatriz que insiste em conceber
Parece o nosso amor se desflora só
para que o céu lhe peça Benze-te depressa

Às vezes o nosso amor acalora
para que a agua estale a pele a ferver
Às vezes o nosso amor decora, ora
parece que o ar do lar o estupora
Às vezes o nosso amor descola só
para que peça a peça se junte numa peça

O nosso amor adora suster
o ar que inspira e sorve só para verter
Às vezes o nosso amor demora a crescer
parece que tem medo de nao caber, de nao caber....

"Pas de Deux", Clã

sexta-feira, agosto 13, 2010

Será que o Pacheco Pereira aceitaria entrar no nosso próximo espectáculo?

"[...] imaginemos que o dr. Pacheco Pereira, nas suas aulas de história política, queria explicar o Lago dos Cisnes aos seus estudantes. Se tem recursos financeiros para isso contrata uma companhia de ballet para que os estudantes possam ver a obra a que se refere. Se não tem tais recursos, será ele próprio a interpretar o papel do Príncipe Sigfried e a ter de executar os vários entrechats, pirouettes, grands jetés à frente dos seus estudantes. Não me parece que a solução fosse mais feliz e mais convincente que a prosa do Miguel Bonneville sobre a sua performance [na foto] e que foi o alvo da grande crítica e indignação do historiador."

Excerto do artigo "O mundo decadente do dr. Pacheco Pereira", por António Pinto Ribeiro (Público 13/8/2010)

3º acto - cena 14: O Príncipe Siegfried, enfeitiçado pelo mago Robhart, dança e canta para Odile, julgando estar com a sua amada Odette.

sexta-feira, julho 09, 2010

Os Jovens Russos falam de problemas eternos: a catástrofe.

A catástrofe de amor está talvez próxima daquilo a que se chamou, no campo psicológico, uma situação extrema, que é "uma situação vivida pelo sujeito como devendo irremediavelmente destruí-lo"; a imagem foi retirada do que se passou em Dachau.Não será indecente comparar a situação de um sujeito que sofre de amor com a de um preso no campo de concentraçaõ de Dauchau? Será possível encontrar-se uma das injúrias mais inimagináveis da História num incidente fútil, infantil, sofisticado, obscuro, ocorrido como um sujeito confortável que é apenas uma vítima do seu Imaginário? Estas duas situações têm, no entanto, isto em comum: são, literalmente, pânicos: são situações sem continuação, sem regresso: projectei-me no outro com uma força tal que, com a sua falta, já não posso deter-me, recuperar-me: estou perdido para sempre.



Em "Fragmentos de um discurso amoroso" de Roland Barthes.

segunda-feira, junho 14, 2010

Os Jovens Russos falam de problemas eternos: o Amor.

Andas sempre com um neon atrás a ti a piscar, dizendo "NO PANIC".
Encontras dois jovens russos.
Um trás em cima a saída de emergência.
O outro um sinal de perigo.
Qual é que escolhes?

terça-feira, junho 01, 2010

Os Jovens Russos falam de problemas eternos: o Amor.*

Os Jovens Russos reuniram-se para falar de amor. Mas um deles não apareceu. Eles ficaram furiosos e acusaram-no de este não os amar. Cortaram relações com ele, até o tiraram do Facebook!
Mais tarde, vieram a saber que aquele Jovem Russo tinha imigrado para Budapeste para aprender húngaro, pois esta, segundo ele, era a única maneira que ele tinha de se tornar poeta.Assim o fez. Escreveu o seu primeiro poema, sobre uma andorinha. Era dedicado aos outros Jovens Russos. Estes , é claro, nunca ouviram o malfadado poema.
Dizem os rumores que o poema da andorinha continua dobrado, dentro do bolso de um casaco que está à venda na Outra Face da Lua.

* dedicado a Chico Buarque.

quarta-feira, maio 26, 2010

Sonja Khalecallon aka Cibelle




Neste disco, criou uma espécie de caos na Terra. Vivemos todos noutro planeta e poucos regressam. Pode explicar um pouco mais esta história?

Quem quisesse voltar, podia. O problema é que só estava aberto um boteco, um barzinho (risos). Todo o mundo foi dar um rolê, para outro lugar. Mas o som do disco é o de um boteco no fim do Mundo. Sabe aquele das 04h00 com o pessoal que sobra?


Como é que aparece o universo do cabaret "Las Vênus Resort Palace Hotel"?

Vem de estar de saco cheio de coisas calculadas, sérias demais. Precisava de dar uma extravasada. E queria divertir-me, sabe? Apaixonei-me pelo erro, pelo caos, pelo feio.

Entrevista ao Jornal Metro, no dia em que abre o concerto dos Grizzly Bear, no Coliseu de Lisboa