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sexta-feira, janeiro 23, 2009

A vida dos outros parece ficção 2

"Leiria, 26 de Fevereiro de 1934

Como é triste ver caírem para a jarra as minhas mais belas ilusões!
Eu fazia do casamento uma ideia tão diferente do que me dizem ser na realidade!
Julgava que o casamento fosse (talvez com um pouco de romantismo) a união absoluta de duas almas, que a êsse acto tão solene só fôssem levadas por uma grande afeição mútua, que houvesse a maior franqueza entre marido e mulher e que, acima de tudo, fôssem muito fiéis um ao outro. Embora no resto da vida se não amassem como nos primeiros tempos, os unisse sempre uma grande afeição.
Afinal dizem que é tudo ao contrário. A maior parte dos casamentos fazem-se pro ambição, cada um pensa em si e faz o que lhe aprover. [Conhecimento?] moral um do outro não existe, nem se preocupam com isso. Desentendem-se? Divorciam-se...
É triste... Se eu não encontrar um homem diferente da maior parte dêles, estou convencida que me não caso."


M.J.

sábado, janeiro 10, 2009

A vida dos outros parece ficção 1

"23 de Maio de 1936

Tudo acabou! O Carlos casou hoje.
Já não tenho o direito de escrever os meus sentimentos a respeito dêle. Mas antes de fechar, para sempre este livro, onde assentei as minhas maiores alegrias e os meus maiores sofrimentos, quero analisar o que presentemente sinto pelo Carlos.
Sofri hoje ao saber que êle se ligava a outra. Mas não foi o coração que sofreu, foi o orgulho. Já lhe não tenho amor. Parece-me, o que tenho, com certeza é muito pouca sorte."

M.J.